quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Uma espécie de sangue

 
   Corem os publicitários com a eterna desculpa dos "targets" para produzirem as merdas com que nos asfixiam. Num conveniente silêncio, a história, de certa forma exemplar, da participação dos escritores portugueses na publicidade está por fazer. Honra lhes seja feita, para mais num país onde a profissionalização da literatura sempre foi uma miragem. Antes do 25 de Abril chegam os dedos de uma mão para contar o número dos escritores profissionais. Depois, é claro que o Estado se encarregou de criar um novo "mercado de trabalho" (as acessorias, as missões diplomáticas, etc, tanto, tanto etc). E, obviamente, os escritores aproveitaram. Não serei eu a atirar a primeira meia dúzia de pedras. Quanto aos publicitários (os competentes) são tão bons a venderem a genitália, como a tornarem
qualquer reflexão ética sobre a sua profissão (em rigor, actividades) , mínima que seja, inexistente.


                        El Lissitzky, anúncio para a Pelikan (1924)