segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Da impossibilidade do retorno (n) o século dos 150 anos, ou o inicio da "aceleração fatal do tempo"





Situações há (mais tarde serão chamadas de acontecimentos) em que um certo número de seres humanos se vêm testemunhas, actores (quase sempre involuntárias) de momentos que interrompem o que julgamos ser, numa doce e inocente percepção, normalidade. Como se entre passado, presente e futuro houvesse uma indestrutível continuidade. Subitamente, uma fenda, uma daquelas situações que após terem ocorrido, nos hão-de dizer serem não apenas "perfeitamente" entendíveis mas, até, mais que previsíveis, i-n-e-v-i-t-á-v-e-i-s. Sábios encartados, almas encantadas (sem intermediários) haviam de compor o mundo, e entregarem-se às modas, aos prazeres solitários. Os intelectuais e, provavelmente, os sexuais.

Ficaríamos nós, a aprender a viver aqui, a descobrirmos que o «aqui», vulgo mundo, quando sem governos e guerras (oh utopia antinacional, as mãos do homem são), não individual... chamemos-lhe comunal, somos «nós». Megalómanos (e como não o ser), sentimos que um corpo, um copo, um campo, uma nudez nua, apenas atenta a temperaturas e a desejos, não nos pode chegar, nem aconchegar, nem, muito menos, arrumar a tralha que vamos acumulando e nos vai cobrindo.

De que é feita esta carne? Ferrugem.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Dia de Chuva(s)


Portrait of a Woman (detail) | Nicolas de Largilliere  (1696)

terça-feira, 7 de outubro de 2014

O que se sabe ou suspeita...


     ... sendo esse o pior tipo de conhecimento: o que se não procura, aquele que podendo se evita e, no entanto, se impõe. Aqui começam (as suspeitas)... parecem forçadas as circunstâncias. Parece que "alguém" nos quer dizer "qualquer coisa". Pudesse e seguia caminhos, mandava caralhar mistérios de trazer por casa ou fingir que se tem vida. Dedicava-me a alimentar saudáveis curiosidades, a gerir forças e a gorar arrepedimentos futuros. Tão certo virem, como as doenças.

     Esforçadamente tem tentado este blog evitar, «private jokes», lavagem de roupa suja e pratica de opacidades que alguns consideram mera presunção, outros, exercícios de militante exibicionismo e, finalmente, alguns, (poucos mas suficientes) a entenderem terem sido as portas propositadamente construidas estreitas de forma a "baralhar pistas", construir outra realidade com a mesma matéria prima, numa tentativa  derradeira e desesperada (até) de ilusionar a realidade.

     Entendamo-nos, assumindo sem sonsices o conhecimento e a aprovação prévios das regras deste tipo  de exercício ou jogo. Mas, esclareço eu, agora, perante distracções (na verdade "batotas") ser quase redundante o sentir-me na obrigação de relembrar não ser o «S&D&PS» nem um espaço de democracia editorial, bem como não haver nem interesse, obrigação ou desvirtuamento no facto de tratar o autor como "pessoa" e não como "personagem".

     Aproveitando estas irritadas e impacientes chamadas de atenção sigo, cerce, para um «mea culpa» de que sou, sem dúvida devedor: o ter, eventualmente, usado este espaço para "comunicar" invisibilidades. Desconforta-me o facto e, acima de tudo, desvia-me de projectos que me são caros. No fundo "fait-divers" e não me está a apetecer aturar maus feitios (meus, principalmennte) pelo que dou a questão por encerrada. Até à cegueira, pelo que abdico de qualquer imagem.

     A noite arrefeceu, deserta e dura. Provavelmente, os próximos tempos serão de solidão. Desafios exigindo clausuras. Claro que é um ser magoado que se olha ao espelho. Mas, valha-nos isso, sem pieguices, auto-comiserações. Dividirei culpas e, mesmo sem entusiasmos, sobreviverei. Não me fodam, ou fodam pouco (e já agora, bem)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Depois de uma (des) conversa


   Os afectos juntos. O conjunto que formam, por um lado um individual dicionário, por outro, neste momento fico preso ao que sinto como mais do que exacto: entomologia



"Tout ce qui n'est pas littérature ou plaisir est temps perdu" ("Tudo o que não é literatura ou prazer é tempo perdido"). Henry de Montherlant


P.S. - Duas notas pessoais: onde se lê «literatura», leia-se, em nome da oxigenada abrangência, «arte». E o fascínio quase obcessivo com que o meu olhar se fixa na ambiguidade do nome do hotel (se, de facto, hotel fôr)

domingo, 5 de outubro de 2014

Domingos onde cabe a vida...


   ... e nessa vida, o sabor de nós, ausências desmedidas. se festas, só malandragem... se tudo, nada.
   assim estamos. sobreviva a esperança de que é só a vida a transitar, a descansar corpo, a retomar o que desleixámos. trouxe, contrabandeados dum sonho matéria para fabricar outro, com sorte, outros.
   beijo-vos, pela primeira vez.



Peter Van Popel


Jacob Robert (the madcap is a distress)