sábado, 8 de março de 2014

Coisas de Partir



Tento empurrar-te de cima do poema
para não o estragar na emoção de ti:
olhos semi-cerrados, em precauções de tempo,
a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.

Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:
tudo coisas de ti, mas coisas de partir...
E o meu alarme nasce: e se morreste aí,
no meio de chão sem texto que é ausente de ti?

E se já não respiras? Se eu não te vejo mais
por te querer empurrar, lírica de emoção?
E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?
E se tu não estiveres onde o poema está?

Faço eroticamente respiração contigo:
primeiro um advérbio, depois um adjectivo,
depois um verso todo em emoção e juras.
E termino contigo em cima do poema,
presente indicativo, artigos às escuras.



Ana Luisa Amaral


quinta-feira, 6 de março de 2014

Ursos e malandros



 

Porque, contra a lógica, a prudência e, muito provavelmente a autopreservação, existes. Porque contigo o muito e o pouco coexistem num mundo onde, finalmente, consigo esquecer. Porque desde que és durmo e quando acordo vivo.
   Sei apenas que chegaste, entraste e te instalaste. Assim. Fizeste de mim a nossa casa, embora ainda leia nos teus olhos o medo de que me habitue e, um dia, não te deixe partir.    
   Talvez te consiga fazer entender que o pior medo é o medo de ter medo. Às vezes surpreendo-te a espreitares nervosa e furtivamente o relógio, ou, roendo uma unha, a olhares a estrada... Não entendes o meu silêncio e eu não quero dizer-te que nem eu.
Quando alguém está no lado de dentro da nossa vida, já saltamos para o precipício e, como dizem os homens verdadeiros habitantes do mundo «já não há volta a dar». Mas, acrescento eu, ainda não é tempo de pensar.
   Nesta imensa cama cabem os nossos corpos e não se gastam os desejos. Ouvem-se risos, os olhares encontram-se sem pressa de ir. Por vezes penso que é o nosso súor que torna as cerejas assim brilhantes, outras sinto uma tão grande vontade de entrar em ti, que mais se asssemelha a um desejo de me perder e partir de vez.  Invariavelmente ignoro o que as paredes ocultam num esquecimento de cheiros e sabores que recolho de ti. Paredes de pedra como nos templos e não de sombras onde os meus fantasmas tocam as suas fúnebres melodias.



Por amnésia, espero que temporária, ficam, por agora, em falta os nomes dos autores das BD's
  
  

terça-feira, 4 de março de 2014

Dá-me música


... e não é que se ouve lindamente? A vizinhança adora...


TrackList
  • 01. Vaginal Frictions
  • 02. Orgasmic ocean
  • 03. Pelvic Rubbings
  • 04. Eternal Climax
  • 05. Remote Ejaculation
  • 06. Sexual Devotion
  • 07. Phrenetic Semen
  • 08. Perverted Tongues
  • 09. Wet Dreams
  • 10. Clitoris Frenzy
  • 11. Inundated vaginas
  • 13. Puddle Of Sex

segunda-feira, 3 de março de 2014

Hasta




Uma buleria de despedida

Facebook







   Um destes dias, alguém me dizia que não ter (conta no) facebook era "como não existir". A mim pareceu-me uma explicação acertadíssima para o facto de (eu) não ter.

   Apetece acrescentar que o facebookear o mundo é uma espécie de paradigma ontológico: laique e deslaique