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sábado, 26 de maio de 2012

Sereia disse o homem no barco. E o mar foi só silêncio
Sereia pensou e foi nada ou mansa demência.
O que são ondas, o que são fonduras, onde vive o fim se casa tem
Porque se enche assim o meu peito de praias que não vejo?

Sob o sol, e sobre as ondas apenas navegam miragens
Fomes, sedes, securas líquidas
Sereia do silêncio deixa-me ser e serei...
Apenas ser não pensante ou náufrago embarcado

Sereia, por nós rasgo mapas, abandono rumos, arreio velas
Desinteresso-me de ventos e evito portos
Quase morto, recém nascido olho os azuis olhos do mar
Sereia, anémona, raia, pelágico ou mãe nas funduras...

Não me leves já, não me abraces ainda, nem embales
Frio já tenho, frio já estou sereia
Sereno como um recém parido ainda por inventar.
Branco como a neve e como a espuma, perdidamente branco como esta folha.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Nocturnas Diárias



Petit Souvenir
(Insistir persistir desistir)

Não afligir nem ferir, proibir ou reprimir, não coagir nem exigir
Acudir, cingir e sorrir, intuir, tentar compartir para construir.
Não desistir nem invadir. Sem impingir cumprir. Nunca agredir.
Não carpir antes rir, não destruir, concluir ou encobrir, nem medir ou mentir,
pois há que ouvir e descobrir, muito onde coincidir ou confluir sem excluir nem presumir
Menos ainda imiscuir. Nada gerir nem querer conseguir, por isso nada de urdir...
Enfim não prostituir nem extorquir. Não (querer) adquirir ou possuir
Mas antes existir, sentir e, talvez até, transgredir

quarta-feira, 9 de maio de 2012


A Explicação do Mundo segundo um Guarda Nocturno


A Maia cheira mal (esta noite?)
A minha vida também não cheira por aí além.
Entre a merda industrial e a existencial
Existirá, talvez, a diferença invisível dos
Corpos que se não querem já.

Esta noite, esta noite

Magoar o papel com verdades universais
(“Ah, ele escrevia com uma navalha!”)
Que de tão sabidas se tornaram esquecidas
Parece agora exercício canalha.

Esta noite é a evidência dos meus dias

Mais do que não querer é, visceralmente depender
Dessa negação, de invisibilizar a carne
Que se não quer já, como num desmaio.
A agonia do desejo é o anúncio da morte

A noite dos lugares comuns, do duvidoso gosto.

O frio que sentes assusta-te... de caralho.
Não há casaco que te valha, nem mortalha
Nú na terra, vejo-te o olhar espantado
pelo desamparo e, juro, abraçava-te

Este cheiro anoitece-me de verdade

Esta noite, esta noite
Esta noite é a evidência dos meus dias
A noite dos lugares comuns, do duvidoso gosto
Este cheiro anoitece-me de verdade