Ao contrário dos anglófonos
(anglofalantes), americanos, são os portugueses (mais do que os
brasileiros e muitíssimo mais que os luso-africanos) avessos ao uso
do NEOLOGISMO. Quase fundamentalistas na sua postura militante, ou
até zelotas
na forma de sentirem a Língua como território sagrado, cujo uso
deverá ser feito na maior das passividades. "Atenção",
avisam-nos... é permitido tocar mas não mexer.
É não entender que uma Língua é uma
convenção, líquida e não cristalizada. (Ela) é a forma como
vemos
a realidade. Face à inevitabilidade (à sua própria natureza) de
constantes mudanças, de realidades novas, resta-nos recorrer a
palavras existentes ou criar novas palavras. A primeira opção
conduz-nos à sobrecarga de significados (sentimentos) numa única e
mesma palavra. Se é certo que algumas delas estão "condenadas"
a carregar semelhante fardo
a criação
de neologismos parece-me a forma óbvia de responder a uma real
necessidade.
A importância desta questão leva-nos
ao que se poderia chamar o Uso Responsável de uma Língua.
Quais
os atributos desejáveis para participar assim numa Língua?
(Continua...)