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terça-feira, 14 de outubro de 2014

O Homem Novo



Gatti a découvert la Chine en 1955. Il en a rapporté des articles, un livre. Mais surtout le souvenir de deux rencontres. Mei Lan Fang, le prodigieux comédien de l’opéra de Pékin, dont il apprendra qu’un bâton peut devenir cheval, puis aussitôt rivière, qu’il suffit de soulever un pied pour faire exister un seuil (et ses mises en scène futures sauront mettre en œuvre la leçon). *  Il y rencontre aussi Mao Tsé-toung — un poète à qui il demandera ce qu’est « l’homme nouveau » et qui, pour toute réponse, lui tendra un carnet aux pages blanches, en disant : « Signez ! » Manière de dire que « l’homme nouveau » sera ce que chacun voudra bien faire de lui-même.

*  (...) Também conhece Mao Tse Tung - um poeta a quem perguntará o que é o «homem novo» e que como única e suficiente resposta, lhe estende um caderno em branco, dizendo-lhe: «Assine!» Forma de dizer que o «Homem Novo» será o que cada um fizer de si próprio.


quinta-feira, 29 de março de 2012

Texto Migrante ou Um Quase Adeus


   Poderia utilizar-se a altercação como forma de se avaliarem as virtualidades do potencial poeta. Assim, por exemplo, a transcrição duma discussão conjugal ou amorosa, (porque costumam ser essas as de maior violência verbal e onde a preocupação com qualquer tipo de argumentação lógica rapidamente se desvanece) poderia servir como meio de se avaliarem a riqueza vocabular, a musicalidade do “texto”, o colorido do imaginário, a capacidade de conquistar o “leitor” para a magia da palavra... 

   Quem sabe quantos "Lusíadas" não se terão perdido, não num Índico mas num oceano de lágrimas e gritarias? ... e quantas "Mensagens" não terão sido interrompidas (e, lá está... para sempre perdidas) por um estalo ou um bater de porta?

   Teria este método vantagens várias:
       - serem-nos poupados histerismos, poses, tiques e traques que, egoísticamente, reclamam, quando não exigem mesmo a nossa educada atenção ( e daí a sua violência);
       - termos, pela poupança de papel, uma existência muito mais ecológica, mais verde, mais amiga do ambiente (onde incluo, naturalmente, os bichinhos; as minhas gatas, por exemplo, ao ouvirem certos transportes amorosos, verbosidades várias, banalidades escritas a tinta de génio, bufam e basam);
       - podermos, enfim, devolver às livrarias o seu esplendor e a sua magia; ou seja, esvaziá-las do lixo que as asfixia e nos impede o infinito prazer da descoberta e do maravilhamento.

   Nesse mundo muito mais silencioso talvez pudéssemos então transferir o que de poesia nos habita da boca para o olhar, usando este para contemplarmos, amorosamente, as árvores ...e os lábios para sorrirmos e beijarmos outros lábios