quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Woody Allen






   Duas citações. Uma poderá ser para o fecho do ano que agora acaba, e a outra apontada ao início daquele que, em princípio, irá começar. A ordem é, quanto ao rigor, indiferente  e quanto ao significado, aleatória:

     - "Leio por legítima defesa"

       - “I don't know the question, but sex is definitely the answer.”  

   Enfim, a terceira (ou será a primeira?) porque me ajuda a levantar todos os dias e ir assobiando a caminho da escola.

   “In my next life I want to live my life backwards. You start out dead and get that out of the way. Then you wake up in an old people's home feeling better every day. You get kicked out for being too healthy, go collect your pension, and then when you start work, you get a gold watch and a party on your first day. You work for 40 years until you're young enough to enjoy your retirement. You party, drink alcohol, and are generally promiscuous, then you are ready for high school. You then go to primary school, you become a kid, you play. You have no responsibilities, you become a baby until you are born. And then you spend your last 9 months floating in luxurious spa-like conditions with central heating and room service on tap, larger quarters every day and then Voila! You finish off as an orgasm!” 



quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Europa : uma das piores secas de sempre





"Car celui qui doit venir viendra. Sinon l’amour n’est qu’un verre d’eau vite avalé."*
Andreï Makine , in  "La femme qui attendait"


* - «Porque aquele que deverá vir, virá. Senão o amor não passa de um copo de água rapidamente engolido»

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Noutras circunstâncias, um título redundante




Igor Posner "Second thoughts", St. Petersburg, Russia


São Petersburgo, Petrogrado, Leningrado, São Petersburgo.
Ou só "Petersburgo"ou, mais informalmente, "Peter".
Continuarão brancas as suas noites ou, pardas como a neve suja, já empapadas pelas criações escorregadias  de Puschkin, Gogol e Dostoyevsky  em espaços esconsos, fumegantes samovares e tapetes a forrarem paredes forradas a papel? As mesmas que hão-de sobreviver às revoluções que hão-de vir, voltar e sobrevoar  holocaustos e marés de destruição em gigantescos fogos abafando vozes, gritos e choros. Como deixar de reparar quando mais tarde  os prados nos sussurrarem no baptismo purificador fogos, como água e fogo se complementam no mais doméstico e primaveril baptismo, com um propósito (mesmo se misterioso para nós e que talvez por isso o reinventamos sem parar)?


Pragmatismo...





          Pragmatismo assim: a frio. Quem foi que pensou primeiro e disse depois que «com coisas sérias não se brinca?». Alma arrepiante com quem evitaria estar a sós em sítio esconso, perante quem certamente aceleraria o passo numa rua deserta e húmida de Praga, Amadora ou qualquer cidade que são enganações de noite, povoadas de medos e mentiras, de passos apressados e frases sussurradas ou, pior, gritadas. Revoltas breves, como breves as raivas, húmidas e fumegantes. Dentro em pouco não restará vestígio, como se tudo não tivesse passado de breve e espasmódica alucinação.

       «Alice, leva-me daqui»... Se as sombras fugazes soubessem letras e até essa imensa geografia de oceanos, montanhas e desertos salvadores não lhes estivesssem definitiva e irremediavelmente negados. Nessa outra história,  ficada por contar, os cegos a quem falta a voz, certamente mereceriam (à custa de mortes, sacrifícios e abnegadas redenções em alternantes filas de hipermercado bem como de kafkianos  passeios em  - não adianta agora estar a fazer tardios aggiornamentos ainda que apenas estéticos e tardios -  corredores de catedrais, que lá por serem de consumo não é por isso que lhes há-de faltarfaltará magestade nem transcendência ) encontrar a chave que tudo abre  e a todos salva. 
       Literariamente, como agora é norma e ninguém parece reparar, as recentes exumações dum psicologismo totalitário, os escreventes recusam a separação entre pobreza da miséria 



sábado, 8 de agosto de 2015

Gracias, Señor Keaton





   Há dias em que me sinto exactamente assim. E Keatonescamente deixo o riso por conta alheia. Não acontecendo no mundo, sei (porque o sinto) que o mundo acontecerá sem se incomodar com vontades ou falta delas. Olimpicamente continuará a sua marcha em passo militar e determinado.

   Agradecido, consolo-me com a certeza de por aqui já não andar muito mais tempo. O tipo de tempo que os relógios não registam, não medem nem sequer, suspeito, se lembram.