sexta-feira, 7 de maio de 2010
terça-feira, 4 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Alberto Pimenta
CIVILIDADE
não tussa madame
reprima a tosse
não espirre madame
reprima o espirro
não soluce madame
reprima o soluço
não cante madame
reprima o canto
não arrote madame
reprima o arroto
não cague madame
reprima a merda
e quando estourar
que seja devagarinho
e sem incomodar, ok madame?
ok, monsieur.
in "Ascenção de Dez Gostos à Boca" (1977)
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poemas
... mais Pimenta
PORCO TRÁGICO 1
conheço um poeta (*)
que diz que não sabe se a fome dos outros
é fome de comer
ou se é só fome de sobremesa alheia.
a mim o que me espanta
não é a sua ignorância:
pois estou habituado a que os poetas saibam muito
de si
e pouco ou nada dos outros.
o que me espanta
é a distinção que elefaz:
como se a fome da sobremesa alheia
não fosse
fome de comer
também.
in, "In Modo Di-Verso" (1983)
(*) - Fernando Pessoa (JM)
Labels:
poemas
domingo, 25 de abril de 2010
Fotografia Sidney Hartha
PRESSÁGIO
A tinta das canetas
PRESSÁGIO
A tinta das canetas
reflui de antipatia
e impregnadas, assíduas
cambam as borrachas
Não há fita de máquina
que o uso não esmague
o vaivém não ameace
de dessorar os textos
Mas a grafia nada diz
de pausas na cabeça
Vozes inarticuladas
adensam, durante elas
uma tempestade recôndita
E nubladas carregam-se
as suspensões
encadeando em nós
o ritmo do presságio.
Sebastião Alba, in "A Noite Dividida" (Assírio & Alvim)
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